A IA generativa amplia a capacidade humana de pesquisa, escrita, análise e criação, mas seus resultados continuam dependendo de direção, contexto, julgamento e validação humana. Em Cointeligência, Ethan Mollick propõe uma forma prática de trabalhar com IA: tratá-la como colaboradora, atribuindo papéis claros, objetivos, restrições e critérios de qualidade, sem confundir utilidade operacional com inteligência humana. O maior risco não está apenas no erro da IA, mas na confiança excessiva que ela pode gerar. Quanto mais plausíveis e sofisticadas forem suas respostas, mais importante se torna manter o humano no comando do processo decisório.
Em 2023, logo após o lançamento do ChatGPT, apresentei a IA a um amigo professor universitário e pós-doutor. Ele ficou encantado com a possibilidade de expandir a sua capacidade de pesquisa usando o ChatGPT. Ele poderia desde fazer resumos até revisar facilmente os seus textos. Porém, uma coisa inesperada aconteceu quando ele pediu ao ChatGPT que lhe trouxesse referências bibliográficas para o novo artigo que estava escrevendo.
Dentre os artigos que a IA lhe recomendou, veio um artigo com um nome absolutamente incrível e atribuído a um professor americano real. Imediatamente ele escreveu diretamente para esse professor, porque não encontrou o artigo em nenhum lugar da internet. A resposta do professor foi:
“Eu adoraria ter escrito um artigo com esse nome. Mas, infelizmente, jamais escrevi isso”.
Saímos muito rápido do estágio em que quase ninguém falava sobre IA para um momento em que quase todo mundo vende IA. O livro Cointeligência, do professor de Wharton Ethan Mollick, faz uma imersão bastante didática e realista nas relações entre humanos e IA. O título remete à ideia de que, pelo menos por enquanto, o melhor uso da IA não está na substituição pura da inteligência humana, mas na composição entre ambas. Essa coexistência cria possibilidades relevantes e, ao mesmo tempo, expõe riscos.
Horizonte3 — inteligência aplicada ao trabalho real.



